16 outubro 2018

"Gogun" —Entrevista com Autores

Olá amados! Tudo bem com vocês? Desejo que sim. Amados, estou trazendo uma super entrevista com o autor Gogun , uma entrevista incrível onde o autor conta um pouco mais sobre sua carreira e suas obras.





Gogun: 21 anos, gaúcho,  romancista, contista, poema e emo; tem como grande inspirações cenários musicais, literatura japonesa, russa e brasileira. No Wattpad está com um romance adolescente em andamento, uma coletânea de contos, uma novela e dois livros de poemas, entre estes últimos um foi a shortlist do Wattys 2018.















Entrevista


Porque você escolheu esse gênero literário?
R= Eu não sei. Comecei escrevendo fantasia, mas migrei para o drama porque senti que conseguiria falar sobre o que eu quero falar de forma mais clara. Acabei iniciando um projeto aqui, outro ali, e notei que gostava de escrever assim. Então acredito que nunca escolhi esse gênero, mas fui escolhido de alguma forma a contar histórias tristes – mas ainda tenho projetos de fantasia, sci-fi, entre outros, então é uma coisa de momento, provavelmente.

Qual sua relação com os livros, digo como leitor(a)?
R= Eu diria que é boa. Eu estou sempre investindo em ler coisas diferentes; sejam clássicos ou contemporâneos, ficção e não ficção. Gosto de ler, mas não atribuo nada mágico nisso. É uma atividade apenas, eu gosto dela. Escrever, em minha opinião, é muito mais profundo.

Sua maior dificuldade como escritora(o)?
R= Arranjar tempo para todos meus projetos e escrevê-los da maneira como quero. É difícil. Às vezes parece estar faltando alguma coisa. Eu nunca tenho certeza se está mesmo ou se estou paranoico. Mas vou tentando.

O que sua família acha sobre você ser escritor (a)?  (Todo mundo quer saber essa parte ha ha)
R= Indiferente.



Já pensou em desistir de escrever?
R= Já sim, mas não tem como fazer isso. Há uma necessidade de escrever que supera toda a vontade de desistir. Sempre tem uma coisinha incomodando para colocar uma história no papel. É assim que funciona, vivo condenado a escrever.

Qual foi o momento em sua vida que você disse "isso está muito bom! Quero que todos vejam"?
R= Estou passando por essa sensação atualmente. Depois de alguns experimentos, estou encontrando um caminho novo que estou gostando muito. Poemas estão saindo mais metafóricos e complexos e um romance, mais leve e direto, sem ignorar o drama e as brincadeiras mágicas. Isso me anima bastante e me deixa com esse sentimento de “está muito bom!”.

O que você sente enquanto escreve?
R= Hum… eu não sei. Eu nunca soube responder esses questionamentos. Eu escrevo desligando um pouco do mundo real, invado uma parte do meu inconsciente e coloco em palavras o que estou vendo; é um pouco atípico, eu diria. Não são todas as pessoas capazes disso, mas não louvo isso ou romantizo. É só diferente. Complexo, desafiador, coisas assim.

O Que você acha de seus leitores?
R= Eu adoro quando eles interagem no Wattpad – e mesmo fora dele, demonstrações são importantes nos dias de hoje. Gosto de mantê-los próximos, pois quero ser lido, obviamente, mas também porque quero tocar as pessoas.

O que você de hoje, diria a você de antes?
R= “Não esconda sua essência”, eu acho. Por muito tempo eu relutei em escrever porque não queria soar triste; mas é minha essência, acontece.

Se você pudesse ser um personagem do seu livro, qual seria?
R= Nenhum, eles geralmente se ferram demais (hahahaha)

Você inspirou-se em alguém para escrever um de seus personagens?
R= Várias pessoas para vários personagens. Mas nunca usei o nome de ninguém e sempre são meras inspirações – seja em aparência ou personalidade.

O que é mais difícil escrever o primeiro capítulo ou o último?
R= O primeiro. Acho difícil demais dar o pontapé inicial.

De onde tirou inspiração para o título?
R= Todos os meus títulos passam por um processo de: escutar música e refletir. Encontro eles assim (ou eles me encontram?). Então começo a lapidar. É sempre assim. Todos eles.

Qual personagem do livro você gostaria de trazer a realidade?
R= A Morgana (O Vazio de Romeu), eu adoro ela.

Se o seu livro fosse adaptado paras telonas do cinema, quais atores e atrizes gostaria que desse vida a seus personagens?
R= Nunca pensei nisso, não acho que daria certo. E também não conheço muitos atores e atrizes.

Qual sensação de publicar um livro?
R= Um pouco assustadora (hahahaha). É sempre um mar de emoções, especialmente insegurança sobre o que o público achará. Se irá atingi-los. Se irá dar certo. É esse tipo de coisas que me vem em mente.


O que você tem achado mais difícil desde que começou a postar seu livro?
R= Divulgar. Eu não tenho paciência para isso.


Qual a pior e melhor critica que seu livro recebeu?
R= Pior: falarem que eu estava imitando outra obra, mas só usava a mesma inspiração (um RPG); Melhor: hum, acho que quando leitores falam que eu toquei seus corações de alguma maneira. É uma sensação incrível.


Acha blogs literários importantes? Qual é a sua visão em relação a eles?
R= Sim, acho. Antigamente tínhamos muito foco nos jornais para a divulgação dos escritores e seus livros, hoje são os blogs e booktubers. Eu acho que se tornaram importantes nos dias de hoje.


O que fazer quando os princípios, ideologias e pensamentos de um personagem, é contrária aos seus? Já modificou seu idéiais por causa de um personagem?
R= Se isso é transmitido nas falas do personagem, é isto, nada mais. Se fosse escrever em primeira pessoa um personagem assim eu acho que não conseguiria muito bem. Geralmente quem lê entende (eu espero) que são pensamentos do personagem e não meus. E eu não modifico meus ideais por causa dos personagens, mas talvez já tenha repensado certos temas por eles.


"Representatividade Literária " o que essa palavra significa para você? Diria que sua obra, ou personagem se enquadra nesse quesito?
R= Significa algo de extremo valor e importância. Eu acho que sim, eu uso isso em minhas obras. Eu sempre procuro representar a verdadeira luta contra a Depressão, Ansiedade e outros transtornos, incluindo, também, temas familiares e um pouco de militância às vezes, especialmente nos dramas, também tenho alguns projetos envolvendo muito de consciência política em várias escalas envolvendo fantasias e gêneros diferentes.

Pesquisas são importantes, para uma base de construção de histórias e personagens, você costuma pesquisar? E alguma vez uma pesquisa de determinado assunto mexeu com você mais que o esperado?
R= Sim, claro. Eu costumo pesquisar até por curiosidade boba. Eu acho que é uma tarefa extremamente importante para um escritor e também um leitor – às vezes precisamos investigar certas referências em outras obras. Só que nunca fiquei mexido demais em pesquisas, mesmo pesquisando vários temas. Não sei bem o motivo.


O mercado literário se modificou bastante nos últimos anos, o que acha dessas mudanças, e quais impactos dela para você como escritor(a)?,E o que acha dessa influência atual em determinados temas/gêneros?
R= Eu acho um saco, mas natural. Quero dizer, um gênero está em alta num momento, daqui a pouco é outro, mas você ainda escrevia o anterior, então sobra se adaptar ou continuar insistindo, talvez com redução de público, talvez não. É natural. Todo tipo de artista se depara com esse tipo de coisa. Isso também acaba refletindo no mercado, óbvio, por exemplo, os Youtubers venderam bem, então teve uma onda disso. Eu não tenho muito interesse em me adaptar a isso tudo (ainda), mas me causa certo medo de nunca ser reconhecido também. É confuso, ou melhor, um porre.

"Machismo e Feminismo " são assuntos que são debatidos com frequência, e eu como leitora e blogueira acho que são de extrema importância, assim como o preconceito racial, e homofobia. Você tem preocupação com esses temas no momento de construção da sua história? E como lida quando de alguma forma esses temas se tornam cruciais para o livro?
R= Não tenho. Pelo menos não de forma consciente. Quando escrevo, mergulho no inconsciente e encontro coisas bem íntimas. Acaba que eu falo desses temas, pois eles existem dentro de mim (e de todo mundo). Desses temas citados, eu nunca pensei em escrever – nem escrevi – nada cujo foco fosse exatamente esse. Mas se acontecer, eu vou deixar rolar. Pesquisas, conversas e essas coisas podem ajudar bastante. Por exemplo, em O Vazio de Romeu há algumas discussões sobre machismo e liberdade feminina, assim como homofobia e sexismo. Mas a história não é sobre isso, entende? Simplesmente aparece, pois eu reflito sobre isso normalmente, eu vivo num mundo que existe isso.

Já criou algum personagem baseado em alguém real?
R= Sim, vários.

Qual citação favorita que já escreveu?
R= “Este é um maravilhoso mundo cinza repleto de coisas boas e ruins. Felicidades e tristezas. Amor e ódio. A única maneira de vivermos é unirmos preto e branco, entende o que estou dizendo? — ela concordou. — Precisamos de altos e baixos, sofrimentos e conquistas. Tudo em seu próprio tempo para que no fim de tudo possamos dizer: eu vivi de verdade.”, do conto Maravilhoso Mundo Cinza de uma coletânea de mesmo nome.

Planos para o futuro? Quais?
R= Pretendo terminar de escrever e começar a editar um romance em breve. Se irei publicar em algum lugar? É um mistério. Também ando arrumando alguns contos para formar uma coletânea e um novo livro de poemas. Além disso, tenho outras ideias em mente: um romance mais meloso, um drama romântico, uma fantasia urbana, uma ficção científica. Se eu vou conseguir escrever tudo? Só o tempo dirá. Espero que sim, pois essas histórias vivem em mim já tem um bom tempo.

Como lida com as críticas?
R= Se forem críticas fundamentadas e não simples destilação de raiva, eu aceito bem e revejo o que está sendo dito. É importante saber escutar esse tipo de coisa, especialmente nesse meio.



Atualmente somos parceiros(as) ,me diz como conheceu o blog, e qual tem sido sua experiência até agora com ele.
R= Eu não lembro como conheci! (hahahah) Mas posso dizer que o blog dá muita atenção e tenta manter um ambiente agradável aos parceiros, então gosto bastante.

O que acha mais frustrante no meio literário?
R= Brigas sem sentido e autores romantizando absurdos? Talvez. Eu não sei. Também me frustro um pouco com a necessidade de vivermos ondas e modas, como disse anteriormente, para alcançarmos algum tipo de patamar. Ou será que isso é simplesmente uma paranoia? Talvez nunca saibamos. Mas, enfim, muitas coisas me frustram, eu acho.

Tem ritual de escrita, cronograma ou algo do tipo?
R= Não exatamente, mas enquanto escrevo preciso sempre parar e caminhar um pouco. Ajuda a fazer as ideias fluírem e as pernas pararem de doer.

Quais metas como escritor(a)?
R= Continuar melhorando e, talvez, conseguir uma boa publicação física.

Bandas/Cantores favoritos?
R= São várias. DIR EN GREY, Sukekiyo, Joji, Kinoko Teikoku, Rich Brian, The Beatles, Chopin, é tudo misturado, ainda poderia citar mais…

Costuma ouvir música na hora de escrever?
R= Às vezes. Depende do dia.



Quantas obras tem ao total, publicadas e não publicadas?
R= Uns 5 romances, vários contos (sendo uma coletânea pronta), uma novela, dois livros de poemas e mais alguns esperando sair do papel. Os publicados, em maioria, estão no Wattpad.

Já interrompeu leitura de algum livro, por conter tema que lhe incomodasse, ou por qualquer outra razão?
R= Por não me prender. Se não me fisga no começo, eu geralmente largo.

Qual momento até agora, foi o mais marcante em sua carreira?
R= Hum… difícil. Talvez chegar à shortlist do Wattys 2018. Foi bem marcante, pois eu sequer lembrava ter me inscrito. Senti que podia fazer algo bom com algum valor também.

Qual sua relação com blogs literários? E qual sua opinião em relação a rixa entre blogueiros literários e escritores , autores acusando blogs de somente querer livros e blogs acusando autores de serem "canguinhas" em não querer enviar livros, marcadores e etc...   mesmo que atualmente seja menos frequente,o que acha que falta entre escritores e blogs, para que esse tipo de coisa seja evitada ?
R= Isso tudo é idiota. Sério, muito idiota. Me refiro às brigas, claro. Tudo se resolveria conversando naturalmente, cada um tentando chegar a um acordo e, se não adiantar, deixar seguir a vida. Muitas coisas no mundo seriam evitadas por meio de conversas. Sinceramente, eu estou começando a ver mais os blogs literários agora, pois é agora que estou caindo mais de cabeça nesse mundo, mas pretendo sempre ter uma relação baseada no diálogo.

O que acha de blogs, igs e também de autores que entram no meio literário, só para ter fama, não por amor ou algo do tipo? E qual sua opinião em relação a acharem que a fama vem de imediato?
R= Hum, nada demais. Sério, eu não romantizo muito as coisas. Eu entendo que artistas adoram citar como são apaixonados fazendo o que fazem, mas também precisamos pagar nossas contas e concretizar algumas metas. Se a pessoa busca fama e faz alguma coisa por isso e até consegue, bom para ela. Se esse foi o objetivo, indiferente a alguma coisa como amor envolvido, é direito dela. Mas é estúpido pensar que a fama virá imediatamente. Ela demora e, se vier, é fruto de trabalho duro. Há exceções, claro, mas é isso: exceções, não regras.

Qual sua relação com os livro? (Digo como leitor(a)) Qual gênero não pode faltar em sua biblioteca?
R= Livros de não ficção focados em filosofia e psicologia; nas ficções não pode faltar coisas flertando em drama, fantasia, realismo mágico e alguns clássicos.

Qual a pior e melhor coisa em ser escritor(a)?
R= Tocar o coração das pessoas é incrível, fazê-los refletir também, mas ser escritor é meio cansativo. Bastante, na verdade. É uma luta diária, seja para escrever, seja para se aprimorar. Eu acho isso bem complicado, acaba nos causando vários problemas. Pelo menos até a gente aprender a lidar.

De todas as suas obras, qual mais gostou de escrever?
R= Eu adoro escrever todas enquanto estou escrevendo. Mas, das publicadas, talvez ‘Centenas de Palavras Abandonadas no Rio’ (https://goo.gl/H7HP7z) foi a que eu mais gostei, pois ela foi vomitada, escrita em poucos dias (é uma novela) apenas deixando a criatividade fluir sem filtros.

Qual tema sente que não seria capaz de escrever? (Não por não ter competência, mas sim por abordar algum assunto delicado, ex: Violência doméstica, estupro, etc)
R= Não sei.

Se pudesse ser um animal, qual seria?
R= Gato. Sem dúvidas eu seria um gato.

Qual conselho para escritores que estão cada dia entrando nesse meio, e deseja ter seu livro publicado?
R= Não desistam! Mas se achar que precisa desistir: pare um tempo. Respire, viva, leia outras coisas, conheça mais o mundo. Você nunca vai conseguir fugir da sua vocação, então não se apresse. Esforço, estudo e trabalho duro podem nos fazer chegar lá – ou alguma coisa assim.




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2 comentários:

  1. Entrevista maravilhosa ,como sempre. Adoro conhecer novos autores, ver a pessoa por de trás da obra.

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  2. Entrevista maravilhosa , amei como sempre ❤️

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